segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Método fácil, democrático e honesto para conquistar votos para o Freixo

Já consegui 5,5 votos para o Freixo - 0,5 significa uma pessoa que votaria nulo com certeza, mas convenci a pensar no Freixo como alternativa viável. Por outro lado, consegui 2 "antivotos" para Crivella: duas pessoas que estavam na dúvida entre nulo e o bispo, mas não votariam em Freixo de jeito nenhum. Consegui convencê-las de que Crivella nem pensar - 2 votos anulados que poderiam ir pra ele. É possível. O diálogo sincero e respeitoso tem poder! Seguem algumas dicas para abordar pessoalmente, mas que também servem para as redes sociais.

1) A ABORDAGEM
Pergunte, como quem não quer nada, se a pessoa já tem um candidato. Essa sondagem preliminar deve ser cuidadosa. Esse diagnóstico é MUITO importante: OUÇA o que a pessoa tem a dizer e tente responder com argumentos adequados a cada situação. Você sabe o quanto o discurso automático e repetitivo em estilo telemarketing é desagradável. Você perceberá que há 6 perfis de eleitores nesse segundo turno:

a) Decidido pelo Freixo - Movido pela esperança. Nem precisa fazer nada! Parabenize, troque ideias, e se possível, forneça bons argumentos e informações úteis, que esse eleitor poderá usar com outras pessoas.

b) Indeciso tipo 1 (entre Freixo ou Nulo) - Entre a esperança e a desconfiança. Esse eleitor se sente inseguro e desconfiado, traumatizado com tantas frustrações políticas. Ele quer ter esperanças. Seja sincero. Diga que você não bota a mão no fogo pelo Freixo ou pelo PSOL (eu não boto), mas que vale a pena apostar na candidatura. Lembre que a democracia e a cidadania não acabam nas urnas, que as propostas de Freixo são boas e cabe ao cidadão cobrar que ele as cumpra, caso eleito. Lembre a ele que o assunto é sério e a abstenção dele poderá ajudar a vitória de Crivella.

c) Indeciso tipo 2 (entre Freixo, Crivella ou Nulo) - Ponderado; aguarda bons argumentos para tomar sua decisão. Provavelmente esse eleitor repudia os valores representados pela candidatura de Crivella, mas também não confia em Freixo, temeroso de que o PSOL vire "um novo PT". Também é possível que tenha ojeriza a ambos candidatos. É um quadro particularmente delicado. Tente entender o motivo de sua resistência a Freixo e responda com argumentos consistentes. Caso seja impossível convencê-lo a votar em Freixo, opte pela redução de danos, apontando bons motivos para não votar em Crivella e convencendo a votar nulo. Um bom slogan para esse caso é "Crivella nem pensar"!

d) Indeciso tipo 3 ( entre Nulo e Crivella) - Tem medo de Freixo e desconfiança quanto a Crivella. É provável que esse eleitor não se identifique com discursos de esquerda. Tem ojeriza e até medo do Freixo. No entanto, como ele está na dúvida também significa que tem pé atrás com o Crivella. Será quase impossível trazê-lo ao esperançoso 50, mas com bons argumentos você pode levá-lo ao "Crivella nem pensar". Mais um voto nulo; menos um voto para o bispo. Um pequeno passo rumo à vitória. Um "nulo do bem".

e) Decidido pelo Crivella - Tem medo do Freixo. Se identifica integral ou parcialmente com os valores articulados pelo bispo. Não nutra esperanças de convencê-lo a votar em Freixo. Se possível, tente levá-lo ao nulo. Esse eleitor pode ser exaltado: evite partir pro bate-boca.

f) Indiferente - Não se interessa por política e está MUITO cansado de frustrações. Tente explicar que essa decisão é muito importante e afetará nossas vidas por 4 anos. Procure mostrar que há esperança e precisamos apostar numa boa alternativa. Não insista demais - poderá irritá-lo e até incentivá-lo a votar no Crivella.

2) A ATITUDE
Sua postura é importante e pode aumentar ou diminuir a confiança do interlocutor em suas palavras, informações e argumentos. Evite a polêmica doentia: política e eleições são coisas importantes, mas existem valores ainda mais essenciais, como amizade e família. Não se afaste de amigos e familiares por causa de nenhum político ou partido - não vale a pena. Até os eleitores de Bolsonaro têm coração...

a) Seja respeitoso - ninguém gosta de ser tratado com ironia, sarcasmo, desdém ou grosseria. O respeito abre portas e mentes. Mesmo que seu interlocutor fale os maiores absurdos e reproduza os boatos mais estranhos, não perca a linha.

b) Não se exalte - o descontrole emocional despertará desconfiança sobre seus argumentos. Não caia no estereótipo do "esquerdista fanático e raivoso". O mundo NÃO é um grande centro acadêmico. Xingar o Crivella não vai ajudar. A raiva só vai fazer mal a você e ao seu ouvinte.

c) Ouça calma e atentamente - democracia é diálogo e não existe diálogo sem escuta. Você está numa conversa, não num palanque. Ouça com atenção e tente respeitar e compreender os pontos de vista de seu interlocutor. Evite interromper seu interlocutor enquanto ele apresenta seus pontos de vista (isso é particularmente difícil para mim).

d) Não rotule - chamar o interlocutor de coxinha, reaça etc não trará nenhum bem. Democracia é diálogo, não julgamento.

e) Fale com humildade - muitos dos eleitores de Crivella ou indecisos são pessoas com baixo grau de instrução ou cultura política precária. Isso não é motivo de vergonha e você não deve menosprezá-lo por isso. Tratá-lo com arrogância só fechará as portas às suas palavras.

3) OS RECURSOS
Use sabiamente suas informações e recursos de oratória.

a) As fontes - você pode adorar sites e páginas "superconfiáveis" de esquerda, mas quase ninguém acompanha esses veículos de comunicação. Além disso, a retórica usada por esses veículos geralmente só atinge os "convertidos" - fora da sua "bolha" a maioria das pessoas não se identifica com esses discursos. Preste atenção ao que os "jornalões" andam dizendo: O Globo, Extra, O Dia, Folha, Estadão e até a Veja andam repletos de informações comprometedoras sobre Crivella. Use, mas não abuse: é provável que seu interlocutor confie nesses veículos, mas não vale a pena estimular uma confiança cega neles apenas para eleger um prefeito. Estimular a consciência crítica também faz parte da "missão" e traz consequências importantíssimas a longo prazo. Queremos formar cidadãos democráticos, não meros eleitores.

b) Não minta, nem exagere - a manipulação inescrupulosa e o cinismo são males que devemos extirpar da política, em nome de uma cultura democrática. Não vale a pena se sujar por nenhum candidato ou partido. Além disso, não é eficiente: as pessoas não são otárias e perceberão que você está falando absurdos.

c) Tenha certeza de suas informações - se você não estiver bem informado e falar alguma bobagem ou cometer algum equívoco grave despertará desconfiança contra você, no momento mesmo em que estiver falando ou quando a pessoa se informar melhor. Aliás, você está fazendo campanha pelo Freixo de modo consciente ou está só seguindo a moda? Reflita bem: talvez o "analfabeto político" seja... você! Se não tiver certeza de alguma coisa, seja honesto e franco: o interlocutor perceberá que você é uma pessoa ponderada e confiará mais em você.

d) Evite polêmicas estéreis - seu foco aqui são as eleições municipais. Algumas pautas do PSOL são bastante polêmicas (eu mesmo discordo de algumas delas); saliente aquilo que é relevante para ESSAS eleições, lembrando quais são as atribuições do prefeito e tudo aquilo que o Freixo NÃO pode fazer. Os rebeldes do Longistão e a luta dos humildes pescadores Confinlandeses NÃO têm nada a ver com o 2º turno das eleições do Rio. O "golpe" (sic) também não tem nada a ver.

e) Use vocabulário e expressões simples - não fique falando "esquerdês" como um autômato programado no DCE ou nas assembleias sindicais. Dizem as lendas que cada vez que alguém usa o termo "burguês", Crivella ganha um voto. Prefira argumentar com simplicidade e bom senso: nem todo mundo leu Kant ou assistiu ao último filme de Ramahtinshadguptadrani. Nem todo mundo curtiu "Aquarius". Eu nem quis ver.

f) Não insista - algumas pessoas são teimosas e viram que o Freixo sacrifica criancinhas num site ou um amigo contou que viu numa conversa do "zap". Você não irá convencê-las do contrário, mas poderá apontar informações conhecidíssimas sobre o Crivella, como sua aliança com Garotinho.

g) As propostas - Freixo tem um monte de propostas bacanas e sensatas. Conheça bem algumas delas e apresente aquelas que parecerem mais interessantes para o seu interlocutor, segundo sua categoria profissional, religião, bairro onde mora etc.

h) Busque pontos em comum - por mais que tenhamos posicionamentos políticos discordantes, todo mundo tem alguma coisa em comum. Procure aquilo que aproxima você do seu interlocutor e evite aquilo que os distancia. A conversa ficará bem mais agradável para ambos e os resultados serão melhores.

i) Fale com humor - ninguém aguenta aquelas catilinárias "esquerdistas" cheias de palavras de ordem e (falsa) exaltação revolucionária. Tente ser engraçado - até porque a política carioca é uma piada...

OBSERVAÇÃO FINAL: O diálogo não é meramente importante para a democracia; a democracia É diálogo. Aprendendo a dialogar com respeito construímos uma democracia melhor para todos nós.

4 comentários:

Soraia S. carmo disse...

Estou chocada com essa matéria... Eu realmente estava indecisa em relação ao meu voto, mas acabei de me decidir pelo Crivella. Pq, vamos combinar, se os eleitores são assim, imagina o próprio Freixo. Inclusive, vc presume que as pessoas que não votam no Freixo são burras pq não leram Kant? Parabéns pelo tiro no pé.

Luiz Fabiano de Freitas Tavares disse...

Cara Soraia, você tem todo direito de votar no Crivella e respeito sua opinião. Em nenhum momento disse que as pessoas que não votam no Freixo são "burras" - aliás, nem usei a palavra "burro" no texto. Pelo contrário, em muitos momentos eu disse justamente que a inteligência das pessoas NÃO DEVE SER INSULTADA. Na verdade, faço uma crítica à arrogância que alguns eleitores e militantes de esquerda apresentam. Eu mesmo já tentei ler Kant e não entendi grande coisa. Muita gente inteligente não leu Kant. Inclusive, conheço várias pessoas com baixo grau de instrução que são pessoas inteligentíssimas. Afinal de contas, diploma não é sinal de inteligência. Em vários momentos do texto defendo a necessidade de dialogar COM RESPEITO: "O diálogo SINCERO e RESPEITOSO tem poder". Também escrevi: "ninguém gosta de ser tratado com ironia, sarcasmo, desdém ou grosseria. O respeito abre portas e mentes". Também disse com toda clareza que os eleitores de Freixo não espalhem mentiras, pois "as pessoas não são otárias e perceberão que você está falando absurdos". Enfim, respeito sua opinião e espero que você também respeite a minha. Cordialmente, LF

Dayana Nunes disse...

Entendi perfeitamente o seu ponto! E concordo!

Dayana Nunes disse...

Entendi perfeitamente o seu ponto! E concordo!