sábado, 3 de setembro de 2016

PT - partido sempre partido

Reflexões do amigo e historiador Fred Oliveira



O PT continua sendo um grande partido, sempre partido... Penso que possa tentar unir as esquerdas em torno de sua quimera mas não me parece que esteja disposto a seguir em posição secundária alguma outra legenda. O poder cria um hábito que experimentado não se esquece. Não sei se a parte vassala das esquerdas que em alguns momentos costuma se unir em torno do PT, seja por ideologia (qual?), sentimento de solidariedade, peleguismo, coleguismo, oportunismo "de classe" ou onda, estará disposta a segui-lo até o fim dos tempos. Dos filhos expulsos, em expurgos passados, o PSOL parece ainda não ter rompido completamente o cordão umbilical com o "ventre materno" e o discurso desafina em algumas falas. Torço para que o partido não se torne um novo PT. As esquerdas "a la" PT tem muito apoio em alguns segmentos de formadores de opinião mas, paradoxalmente, não tem a capilaridade que o alarido online, as vezes, pretende fazer parecer. Um dos problemas de parte da esquerda é ver na política inimigos, em vez de ver nas vozes discordantes adversários. Apesar de todo o blá blá blá pela democracia, tal postura na verdade fode a democracia! O PMDB e o PSDB não são opções. É preciso que a sociedade se dê conta de tal esgotamento e se mova para que haja a emergência de novas vias, novas opções, novos caminhos para a representação política. Sem ilusões e sem panfletos bobos, que só tem eco no próprio grupo. Um país com 200 milhões de habitantes não pode mergulhar em delírios. Muitas lições foram suscitadas mas receio que nenhuma tenha sido de fato aprendida. A crise se arrastará até 2018. Acho que a direita hoje está menos inibida e não sei se isso é bom. Possivelmente nos próximos anos a esquerda não será mais a única opção do espectro ideológico a ter militâncias atuantes. Na verdade, acho que o clima de conflito se acentuará entre esses grupos. Dilma, como pessoa, é muito melhor que o PT atual. Ou será esquecida como Erundina foi ou se tornará a rainha da Inglaterra do partido ou retornará ao limbo burocrático de onde saiu e no qual ninguém, fora dos círculos do PDT e do PT, a conhecia. Dilma e Temer não teriam votos sem os padrinhos e oportunidades que tiveram. Todo esse processo fez muito mal ao Brasil. Não ensinou nada porque ninguém está disposto a aprender nada com toda essa crise. A maioria só quer ver seu lado prevalecer. Os demagogos continuam demagogos, os pelegos continuam pelegos e alguns grupos militantes beiram o dogmatismo religioso na sua defesa intransigente de seus mitos e divindades. Eternizam o presente como se ele não fosse passar. Mas o presente passa e depois quase ninguém se lembra de tanta paixão passada com a mesma ênfase. Como em Shakespeare, o Brasil é aquela escada na qual se ouve um grande barulho mas o tempo passa e nada de fato acontece. Penso que a grande ilusão disso tudo é achar que um dos lados merece aplauso...

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