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quinta-feira, 31 de março de 2016

O véu, a nudez e o erotismo



Foto muito interessante, para além de suas conotações meramente políticas. 

A palavra revelar (do latim velum, "véu") tem uma ambiguidade curiosa, à medida que remete tanto ao que se mostra removendo o véu quanto àquilo que se percebe através do véu, especialmente de seus volumes. Todo véu oculta algo e exibe outra coisa ao mesmo tempo. Há um poema espetacular de Victor Hugo em que ele explora essa ambiguidade, no que tange à revelação religiosa. 

Nesse sentido, qualquer roupa "revela" alguma coisa e se torna passível de algum grau de decodificação erótica, me parece. Me faz lembrar uma passagem de Montaigne, onde ele falava justamente sobre a erotização do que se furta ao olhar, a cotejar a outra passagem, de Jean de Léry, em que ele salientava/defendia que a nudez das índias era muito mais despida (trocadilho) de erotismo que as vestimentas das europeias (ressoando, obviamente, os conceitos de decência enfatizados pela Reforma). 

Mais ainda, remete à pergunta que um aluno do ensino médio me fez certa vez em sala de aula: se bikinis e lingeries (calcinha e "soutien") são praticamente a mesma coisa, por que os primeiros são considerados aceitáveis em público, e os últimos não? Na ocasião, a pergunta me pareceu curiosa, mas só consegui pensar naquela resposta banal que o estudioso de humanidades sempre utiliza quando não tem ideia: "é uma questão cultural". De qualquer forma, fiquei com a pulga atrás da orelha. De lá para cá, chego à conclusão que, para além da cultura, há também uma questão de contexto e expectativa: ambiente público (praia) x ambiente privado (quarto), perspectiva de satisfação sexual adiada ou imediata

Tudo isso, obviamente, envolve códigos culturais que são aprendidos desde a infância, através de vários canais de comunicação. Em suma, independentemente de qualquer mensagem política, a imagem sugere o quanto o desejo erótico, sua (de)codificação e suas im/expressões fazem parte de aprendizados culturais complexos. Ao longo de suas vidas, esses dois homens certamente aprenderam a "enxergar" o corpo feminino por baixo do véu. Um dia ainda escreverei um artigo mais detalhado sobre o tema.

P.S.: Uma amiga acaba de compartilhar a imagem abaixo, que de alguma forma tem tudo a ver com o texto acima, embora ainda não tenha ideia de como fechar as conexões... Uma imagem "monstruosa", nos vários sentidos que o termo possa ter. Culpa dos algoritmos?


quarta-feira, 30 de março de 2016

Entre dedos e anéis: a tragicomédia do PT

Todos sabemos que a Era PT foi construída a partir de inúmeras alianças, a maior parte delas bastante questionável; a viga mestra desse edifício era a aliança com o PMDB, formalmente desmanchada ontem.

Esses arranjos ficaram conhecidos como "pactos de governabilidade", eufemismo usado com muita frequência ao longo dos últimos quatro mandatos presidenciais. Muita gente, militante do PT ou simpatizante, defendia essas alianças pragmáticas e um tanto constrangedoras, como um meio para atingir "grandes" conquistas sociais.

Nos últimos anos, conforme a situação do PT vinha se degenerando e as concessões a partidos da base aliada, e até a rivais, tendiam a se tornar cada vez mais servis e humilhantes, a militância petista e seus simpatizantes repetiam, como mantra: "vão-se os anéis, ficam os dedos". Para essas pessoas, os dedos seriam os tais programas sociais que "transformaram" [sic] o Brasil, enquanto os anéis seriam as posições de poder adquiridas pelo partido. A expressão foi repetida ad nauseam ao longo do verdadeiro leilão ministerial que Dilma promoveu durante 2015.

Para quem se envolveu com as lutas populares de 2013 e 2014, nada surpreendente: a omissão petista (Lula incluído) diante de tantos desmandos cometidos por seus aliados, especialmente pelo PMDB do Rio de Janeiro, mostrou claramente que o PT estava disposto a amputar os dedos para preservar os anéis. E foi exatamente o que fez, com sua leniência e até apoio para com a legislação antiterrorismo, que mais parece uma legislação antidemocracia.

Agora mesmo, enquanto a aliança PT-PMDB se rompe fragorosamente, tramitam no congresso projetos legislativos propostos  pelo governo que ameaçam acabar com a estabilidade do servidor público, proibir os reajustes salariais de servidores acima dos índices de inflação e, muito mais grave, impedir os reajustes do salário mínimo acima da inflação.

Na minha opinião, a conquista social mais importante da Era PT foi a ampliação significativa do salário mínimo - que, por sinal, ainda está longe de ser uma remuneração aceitável. Vale ressaltar ainda que o salário mínimo se encontra estagnado desde o primeiro mandato Dilma. Agora, o mesmo PT, para evitar a qualquer preço sua derrocada, se propõe a condenar o salário mínimo à estagnação a longo prazo - um retrocesso para o povo e os trabalhadores. Nesse sórdido comércio, o partido se mostra agora disposto a amputar as mãos, para preservar os anéis.

Alguns, movidos por profundo desejo de autoengano, ainda acreditam que o PT sairá dessa crise com uma "guinada à esquerda". Isso não irá acontecer: durante sua longa permanência no poder, o partido se tornou disléxico.

Não tenho ilusões. Com impeachment (legal ou nem tanto) em 2016 ou previsível derrota eleitoral em 2018, me parece que a era PT acabou - e, como diria Yoda, não foi curta o suficiente. Em breve, para preservar os anéis, o PT entregará a cabeça, se necessário for. No final das contas, como se trata de uma tragicomédia, os anéis serão dissolvidos, de um jeito ou de outro, na forja das paixões políticas.

Sic transit gloria mundi.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Weber e o passarinho de Bernie Sanders

A repercussão midiática do tal passarinho que pousou no púlpito de Sanders me parece muito curiosa. Apesar de todo "desencantamento do mundo", as imaginações ainda se mostram sensíveis aos sinais de um mundo "sacralizado", mesmo que apenas num registro humorístico ou simbólico: "Forças da Natureza também podem estar apoiando Bernie", diz uma página do Facebook. Também os antigos romanos liam augúrios nos voos dos pássaros...

domingo, 27 de março de 2016

SUGESTÃO DEMOCRÁTICA, PRAGMÁTICA e surrealista PARA O IMPASSE QUE INQUIETA A REPÚBLICA BRASILEIRA (contém ironia)

1) Reunamos todos os cidadãos do Brasil em algum descampado de dimensões que permitam tal aglomeração. Camisas vermelhas ou verde-amarelas serão proibidas para evitar tumultos.

2) Para evitar fraudes eleitorais, uma mesa deverá conferir os respectivos títulos de eleitor de cada cidadão, conforme forem chegando.

3) De um ponto bem alto (pode ser um palanque ou uma montanha), o juiz Sérgio Moro perguntará a todos os eleitores quem é contra ou a favor do "impitima". Para evitar confusões, Lula e Aécio deverão estar juntos sobre o palanque/montanha e verificar pessoalmente quem levanta a mão, contando juntos e em voz alta. Se não for possível determinar por contraste visual, Lula e Aécio contarão os braços levantados (um por um). Caso ocorra algum erro durante a contagem, eles deverão recomeçar, quantas vezes se fizer necessário, para evitar dúvidas.

4) Ninguém perguntará sobre abstenções, porque isso seria "ficar em cima do muro", e quem fica em cima do muro é gato, não eleitor.

5) Em caso de vitória petista, será servido um buffet de mortadelas com caviar; em caso de vitória tucana, o menu será de coxinhas gourmet.

6) Em caso de empate, fica instituído o Parlamentarismo; Lula e Aécio partilharão os ministérios no cara-ou-coroa.

7) O Temer e a Dilma ficarão de olhos vendados durante todo o processo, gritando SIM ou NÃO, aleatoriamente, para evitar constrangimentos.

ALTERNATIVAS:

a) Trocar Sérgio Moro pelo Sílvio Santos, como mediador do processo.

b) Caso o procedimento se mostre inviável, por razões que me escapam, pode ser resolvido em estúdio, com apresentação de Serginho Mallandro; nesse caso, o Temer, depois de gritar inúmeras vezes e rolar pelo chão, poderá escolher entre três portas. Apenas uma delas conterá o "impitima" premiado; as demais conterão atores (podem ser Lula ou Aécio) com fantasias toscas de monstro.

José Murilo de Carvalho: "Júpiter e a marcha da insensatez"

Coluna publicada no jornal O Globo (27/03/2016)

Vivi a crise de 1964 como estudante universitário  em Belo Horizonte. Mais tarde, o distanciamento permitiu-me pensar melhor sobre o que se passara. Impressionou-me o rápido processo de radicalização e polarização política por que passou o país, comandado pelas lideranças de Carlos Lacerda, de um lado, e Leonel Brizola, do outro. Brizola ainda disputava corrida com o presidente João Goulart pela liderança sindical e popular. A polarização parece ter ganhado força própria e desaguou na ruptura institucional. No entanto, pesquisas de opinião pública feitas na época pelo Ibope indicavam o moderado Juscelino Kubitschek como o favorito a vencer as eleições presidenciais de 1965. Incapaz de achar resposta científica para o fenômeno, ocorreu-me a conhecida frase "Os que deseja destruir, Júpiter primeiro os enlouquece". Desconfiei que um deus cruel andara por estas bandas divertindo-se em nos enlouquecer e em jogar com nossos destinos.

A história nunca se repete, nem como tragédia, nem como farsa. Mas isto não impede que certas dinâmicas possam estar presentes em diferentes crises políticas, sobretudo nas que levam ao desastre. Um deles é o que se verificou em 1964: a radicalização e polarização das opiniões em dois campos irreconciliáveis, igual à que estamos vivendo hoje. José Bonifácio dizia que a sã política era filha da moral e da razão. Ninguém lhe deu ouvidos. Hoje, a moral se foi e a razão foi junto. Entramos de novo em enlouquecida marcha de insensatez que exclui o diálogo e a negociação. Os adversários não têm mais nomes, mas apelidos insultantes: são petralhas e coxinhas, corruptos e golpistas; o vocabulário comum está a desaparecer: impeachment, procedimento legal para afastar governantes, virou golpe; qualquer manifestação de rua, de cem mil ou um milhão, vira a voz do Brasil (que tem 200 milhões de habitantes). As universidades, onde, em tese, o teor de racionalidade deveria ser mais alto, são talvez os piores exemplos de intolerância entre colegas, alunos, funcionários. O ódio invade e envenena todos os espaços de convivência, a família, o trabalho, o lazer, as ruas, as mídias, as redes sociais. Nunca antes o Brasil foi tão cordial, no sentido de ser movido pelas paixões do coração.

Para acrescentar mais um exemplo histórico, polarização houve também em 1954. Mas então ainda havia heróis trágicos em nossa política: o suicídio de Vargas derrotou Júpiter e salvou as instituições. Em 1964, havia restos de virtú política, mas não havia heróis trágicos e sobravam fatores agravantes como a Guerra Fria e a presença militar. O presidente imitou o ato de seu homônimo português em 1807 e as instituições naufragaram. Hoje, quando não temos os dois agravantes e viemos de 30 anos de prática democrática, inclusive com um impeachment, deveria ser possível resistir ao fascínio da voragem da desrazão. Mas não é o caso. Os anos de governo militar dizimaram os estadistas e deslegitimaram a própria atividade política. A grande invasão de povo na política e nas redes sociais não foi acompanhada da capacidade de organização e de liderança.

Entre as saídas possíveis, nenhuma é satisfatória. Só há as ruins e as menos ruins. A pior de todas, a intervenção militar, parece descartada, o que não impede que as Forças Armadas possam, dentro da lei, ser chamadas para manter a ordem em caso de conflitos violentos. A renúncia da presidente é improvável: ela certamente não tem vocação para heroína trágica. Um eventual impeachment mudará o governo, mas o conflito e a polarização continuarão, apenas com sinal trocado: quem jogava pedra vai virar vidraça e vice-versa. A sobrevivência da presidente, por sua vez, significará o alongamento da paralisia governamental, com todas as consequências desastrosas para a economia do país. Não há luz no fim do túnel.

Sem melhor explicação, e talvez com a razão já afetada, desconfio que Júpiter tenha voltado a se divertir à nossa custa.

José Murilo de Carvalho é historiador

segunda-feira, 21 de março de 2016

Brasil: de multidões e clones

O uso indiscriminado e excessivo de bandeiras partidárias ou de símbolos nacionalistas me deixa igualmente preocupado, à medida que ambos sinalizam o apagamento da pluralidade democrática.

Quando vejo qualquer multidão com aparência uniformizada (de vermelho ou verde-e-amarelo), me lembro de clone troopers executando a famigerada Ordem 66...

Pezão internado e o imaginário político

Pezão, governador do Rio, se encontra internado há vários dias. Hipóteses conspiratórias variam desde a suspeita de que estejam ocultando a morte do governador (!) até, mais prosaicamente, que ele esteja tentando driblar o movimento dos servidores fluminenses ou tentando escapar de prisão preventiva.

Curiosamente, quando sugiro às pessoas que talvez, simplesmente, ele esteja de fato enfermo, inclusive pele estresse relacionado à grave crise administrativa e política no Estado Rio, encontro reações céticas. A maioria das pessoas me responde que "esse pessoal" (políticos) não fica doente "assim".

Parece que os políticos andam tão distanciados da população que os cidadãos não conseguem mais imaginá-los como seres humanos de carne e osso. Isso é perigoso em dois sentidos: em primeiro, porque todos eles são gente, e devem ser tratados como tal, independentemente de seus erros. Tudo que escape disso, é barbárie.

Por outro lado, e talvez pior, isso indica que os cidadãos os vejam como intocáveis, imunes às pressões e anseios da sociedade. E isso conduz, creio, a um posicionamento apático em relação às possibilidades de mudança social, à eterna espera de um messias que venha "salvar a pátria".

No livro Dire et mal-dire, a historiadora Arlette Farge aborda a emergência da opinião pública na França setecentista, sugerindo que os boatos sobre a realeza vicejavam justamente porque a "verdadeira" vida política se dava para além dos limites da expectativa e da participação popular. Nesse sentido, os boatos sobre o governador internado me parecem muito sugestivos do quanto nossa política ainda é Ancien Régime...

Entre a barbárie e a apatia, existe a cidadania...

quinta-feira, 17 de março de 2016

Para rir ou chorar

Quando eu estiver debochando, talvez pareça que estou falando sério. Quando eu falar sério, talvez pareça que estou debochando. Nesse momento de meu-lado-contra-o-seu, talvez apenas o humor consiga interromper a preparação das trincheiras. Como disseram por aí, se você ainda não está confuso, é sinal de que está mal informado...
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Vamos combinar, é uma baita ironia que tenham transformado o "não vai ter copa" em "não vai ter golpe"...
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Só vejo duas saídas viáveis para o Brasil: King Size ou Tiririca. O resto, é mais do mesmo...
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Acho que podíamos dissolver a federação e instituir 27 estados independentes, governados por seus respectivos king sizes...
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Valeu, gente! Vou descansar antes que o Brasil acabe comigo ou eu acabe com o Brasil...
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Como somos um país de formação cristã, vamos todos ficar comovidos e sensibilizados pelo arrependimento sincero do Eduardo Paes...
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Para quem quer se escandalizar, qualquer coisa se torna motivo de escândalo.
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Toda crise traz perigos e oportunidades. Cabe ao povo escolher de que maneiras conduzir esse momento.
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Só para constar, apoiarei a democracia sempre que necessário, mas sou socialista demais para apoiar o PT.
Também sou socialista demais para essas manifestações pelo "impitima".
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Nesse momento, meu partido se chama DIÁLOGO.
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-Mamãe, no céu tem golpe?
E morreu...

Estopins

Texto do amigo Tiago de Souza, historiador, baterista e musicólogo

Marx escreveu que a História não se repete, a não ser como farsa. Ok. Mas sempre existe a possibilidade de percebermos padrões. Dito isso, entendo que antes de toda grande mudança, se ouve o estalar de um fato que desencadeia a tempestade.

É o "estopim", aquele fato simples e único que dá início ao caos.

O martelar na porta de uma catedral, um apertar de mão que é recusado, o assassinato de um herdeiro, a tomada de uma fortaleza, a recusa de um parlamento a cumprir uma ordem, a invasão de um país neutro, um discurso na central do Brasil, uma carta forjada, um general que sai com seu exército em marcha...

Qual será o NOSSO estopim?

Quem vai identificá-lo como tal?

O que vai acontecer depois disso?

Parafraseando Pascal, são esses espaços vazios que me assustam...

Gotas - A tensão da democracia brasileira

Há um golpe em andamento? Não sei dizer ainda, mas tudo isso me deixa muito preocupado...
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Nesse momento, meu partido se chama DIÁLOGO.

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Gente, a situação atual exige que abandonemos essa lógica BINÁRIA que vem regendo nossa vivência política. Cuidado com as POLARIZAÇÕES e MANIPULAÇÕES - à direita e à esquerda. Nosso modo de pensar a política precisa AMADURECER, pelo bem da democracia.

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SE ESSA BRIGA CONTINUAR DESSE JEITO, QUEM PERDE É A DEMOCRACIA BRASILEIRA...
Ainda não sei dizer se a nomeação de LULA foi um ato irresponsável de DILMA, jogando lenha numa fogueira em que todos nós arriscamos a nos queimar. É, no mínimo, uma jogada arriscada e questionável, num momento em que os ânimos se encontram tão acirrados.
Por outro lado, tenho quase certeza de que a atuação de MORO foi ilegal - e digo "quase" só porque eu não sou jurista.

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Aconteça o que acontecer, evitemos exaltação nos debates. Se deixarmos nossas inclinações políticas abalarem nossas amizades e relações familiares, teremos perdido o mais importante.

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Admitir que o momento é complicado e que não haverá soluções simples ou fáceis é o único meio de encontrarmos as soluções necessárias.
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O momento exige de todos nós humildade para pensar as coisas sem certezas preconcebidas e sem paixões exacerbadas.
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Lembremos o ensinamento de mestre Yoda: o ódio nos conduz ao sofrimento...
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"Vem muita confusão por aí" - é impressão minha ou o Delcídio quer fazer locução para a "Sessão da Tarde"?
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A Nintendo praticamente abandonou o mercado brasileiro há quase um ano e vocês aí preocupados com bobagem, francamente!

O silêncio da guerra

"Outra lição duradoura da história é que é sempre mais fácil promover a guerra que a paz, e mais fácil pôr fim à paz do que à guerra, porque a paz é frágil e a guerra é durável. Uma vez que os primeiros tiros tenham sido disparados, aqueles que se opõem à guerra são simplesmente rotulados de traidores. Todo o debate termina quando os primeiros tiros são disparados, portanto disparar tiros é sempre um modo eficaz de pôr fim ao debate. O silêncio pode não durar por muito tempo, como demonstraram a Guerra de 1812, a Primeira Guerra Mundial, a Guerra do Vietnã e a Guerra do Iraque, todas impopulares, mas há sempre um momento de silêncio forçado quando o debate e a crítica são banidos, e esse momento dá no mínimo uma vantagem temporária aos promotores da guerra".

(Trecho do livro Não-violência: a história de uma ideia perigosa, de Mark Kurlansky; o livro nem é muito bom, mas essa passagem traz reflexões interessantes para o momento atual)

quarta-feira, 16 de março de 2016

Tenhamos ponderação

Não sei o que pensar do momento atual em nosso país.

A situação é imprevisível.

Há muito mais em jogo que alguns partidos ou pessoas.

A situação geral é muito delicada, e devemos evitar qualquer precipitação.


O momento nos exige calma, ponderação, sabedoria e cautela.

Educação na chuva - um relato (16/03/2016)

Acabo de chegar da passeata unificada da educação fluminense, reunindo estudantes, responsáveis, funcionários e professores das instituições estaduais atualmente em greve - SEEDUC, UERJ e FAETEC.

Desci do metrô na estação Largo do Machado por volta de 14:15. Os corredores da estação se encontravam lotados de manifestantes, que se abrigavam da chuva torrencial. Como não gosto de "muvuca", preferi vestir minha capa e sair na chuva, me abrigando sob uma árvore. Alguns grupos se concentravam aqui e ali, sob árvores e marquises.

Alguns minutos depois, algumas pessoas começaram a se reunir diretamente sob a chuva. Resolvi juntar-me a elas. Logo éramos muitos, principalmente depois que alguns estudantes se puseram a circular pelo Largo, entoando canções de protesto.

O entusiasmo dos estudantes era contagioso. Me peguei refletindo sobre quanta coisa mudou nos últimos 3 anos. Durante a greve da FAETEC de 2013, a maioria de meus alunos reclamava, reproduzindo o discurso de que a greve os prejudicava. Em 2016, a esmagadora maioria dos estudantes vem nos apoiando e, mais ainda, organizando suas próprias manifestações.

Por volta de 14:55 a chuva amainou, e uma multidão saiu de dentro do metrô, como um dragão de conto de fadas que saísse intempestivamente de sua caverna. O Largo do Machado ficou apinhado de manifestantes, e alguns minutos depois a manifestação zarpou rumo ao Palácio Guanabara. Estavam presentes não apenas profissionais de educação, mas também representantes de outras categorias.

Éramos muitos. Do meio da passeata, mal se conseguia ver onde ela começava ou terminava. No meio do caminho a chuva retornou com grande intensidade. Estávamos encharcados, mas não desanimados. Eu e um colega nos pusemos a imaginar quantas pessoas mais teríamos sem esse tempo chuvoso; soubemos de pessoas que simplesmente ficaram presas no trânsito e não conseguiram chegar a tempo.

Policiais militares nos acompanharam durante todo o percurso. Mais uma diferença: tive a impressão de que eles se encontravam menos tensos e menos hostis em relação aos manifestantes que outras vezes. Em dado momento, a passeata parou por alguns minutos, e pude acompanhar a conversa entre um policial e uma professora. Ele manifestou total apoio ao movimento: "Vocês também estão lutando pela gente"; disse que vários colegas têm participado, à paisana, de manifestações. Fiquei surpreso, mas não tanto: o governo devia ter imaginado o que aconteceria quando mexesse no bolso de seus servidores...


Chegamos ao Palácio por volta das 16:30. Manifestantes acabaram ocupando as duas pistas da Pinheiro Machado. Nem quero imaginar como está o trânsito na Zona Sul!


Me retirei às 17:00, para atender minhas necessidades - ao contrário do que apregoam alguns pós-modernos, ainda não somos "pós-orgânicos". Peguei o metrô e cheguei em casa há cerca de uma hora.


Na próxima seremos muitos, muitos mais...

Educação na chuva! Pezão a culpa é sua!

quinta-feira, 10 de março de 2016

Greve da FAETEC - Impressões (10/03/2016)

A rede FAETEC iniciou sua  greve no dia 2 de março, após uma assembleia extremamente penosa.

Realizada no auditório da Escola Técnica Visconde de Mauá, a assembleia de hoje conseguiu ser ainda mais tensa.

A meu ver, boa parte dessa tensão se deve à postura intransigente e autoritária da direção do SindpFAETEC.

O primeiro momento difícil ocorreu quando a direção concedeu a palavra a um grupo de estudantes, mas tentou cortar as falas abruptamente, alegando que a assembleia pertence à categoria, não aos alunos, que reagiram "invadindo" o palco. Nesse momento, a diretora da mesa, em vez de contemporizar e dialogar, partiu para o enfrentamento, ameaçando suspender sumariamente a assembleia - um gesto de desrespeito a todos os presentes. Sob vaias da base, voltou atrás, permitindo a conclusão da fala dos alunos.

Na primeira assembleia, por sinal, a direção também "pisou na bola" ao solicitar que os estudantes saíssem do auditório no momento da votação.

Ora, é um grave equívoco estratégico marginalizar a participação dos estudantes no movimento, principalmente num país onde a imprensa adora alardear que as greves da educação "prejudicam os alunos". A participação ativa do corpo discente confere grande legitimidade ao movimento e sempre se faz oportuna.

A assembleia prosseguiu um pouco mais calma. Diversas unidades escolares encaminharam propostas para composição de um comando geral de greve, com ampla participação de representantes da base. Todas as falas nesse sentido foram acolhidas com estrondoso aplauso.

No momento da votação, por inúmeras vezes a base bradava "comando, comando", clamando pela votação da proposta mais importante do dia. A direção, todavia, adiou o tema até o final.

Concluída a última votação, a diretora da mesa declarou que a proposta pelo comando geral não seria submetida a votação. Segundo ela, seria ilegal, constituindo a direção sindical a única representação legítima da categoria.

Nesse momento, a exaltação chegou ao ápice. Foi um momento belo e pavoroso.

"Comando, comando"! - bradávamos. Muitos se levantaram e caminharam até o pé do palco. Finalmente, muitos de nós subiram ao palco, e por pouco alguns não foram às vias de fato.

Sempre intransigente, a direção saiu da mesa, desceu do palco e abandonou o auditório, sob os gritos de "golpistas".

Nós, que permanecemos, organizamos uma votação, onde foi aprovado o comando geral de greve.

Certamente foi uma vitória da base, que reafirmou sua soberania na condução da greve. As reais dimensões dessa vitória permanecem imprevisíveis.

Qual será o futuro dessa greve? Cabe à categoria decidir...

P.S.: Um colega corrigiu esse relato, afirmando que o pessoal só subiu no palco DEPOIS que a diretora da mesa declarou a assembleia sumariamente encerrada, enquanto a base gritava pelo comando. Quem sabe?

Quem bate nos professores do Brasil?



Em primeiro lugar, os alunos. As agressões começam em sala de aula. Agressões morais. Agressões verbais. Até agressões físicas.

Na PRIMEIRA SEMANA de aula desse ano um aluno mandou uma colega minha “tomar no c*”. Xingamentos na saída da escola, na rua ou no ponto de ônibus fazem parte da rotina.

Um amigo meu, que trabalha numa daquelas áreas eufemisticamente rotuladas como “de risco”, ouve constantemente os alunos avisando-lhe que “vai rolar o coreto” – uma simpática gíria para “assalto”. Sempre “de brincadeira”.

Ano passado, eu mesmo fui vítima de duas agressões físicas – uma acidental, a outra proposital. A agressão acidental aconteceu quando precisei separar uma briga DENTRO de sala de aula. A agressão proposital foi provocada por um aluno que atirou uma mochila contra meu rosto – “de brincadeira”, é claro. Meu olho ficou doendo por três dias – e não foi “brincadeira”.

Também no ano passado, soube que um aluno puxou uma pistola contra um professor numa escola carioca. Pressionou várias vezes o gatilho - por sorte, a arma não disparou. Não saiu no RJ TV. “Brincadeira”?

Em breve teremos aulas de defesa pessoal nos cursos de licenciatura.

Aulas inteiras são literalmente desperdiçadas solucionando problemas disciplinares que sequer deviam existir.

Por que isso acontece? Por que tanta agressividade? Educar incomoda?

Honestamente, não sei. Só sei que inúmeros estatutos e regimentos nos amarram. As unidades escolares dispõem de pouquíssimos recursos para resolver de modo eficaz esse tipo de situação. Transferir um aluno que não respeita colegas e professores para outra escola é quase tão difícil quanto enviar um explorador a Marte.

É claro que podemos denunciar um estudante por desacato ao servidor no exercício da função (3 a 12 meses de reclusão). Um tanto extremo, não? Nunca fiz isso; não acho que enviar um jovem mal-educado para uma instituição correcional vá de fato “corrigi-lo”.

Ficamos perdidos entre a leniência do Estatuto da Criança e do Adolescente e o rigor do Código Penal.

Depois, somos novamente agredidos pelos responsáveis por esses alunos, que via de regra acham que apenas a escola deve educar seus filhos e, muitas vezes, ainda reclamam quando não toleramos certas “brincadeiras”.

“Ele também é assim em casa”. “Não entendo, ele tem tudo que quer” [sic]. “Não sei mais o que fazer com ele”. Etc. Não surpreende que uma das frases que mais ouvimos de alunos seja: “Eu não respeito nem minha mãe...”!

Muitos responsáveis, aliás, só comparecem à escola para resolver assuntos pertinentes ao Bolsa Família. “Só venho à escola para ganhar presença”, já me disse um aluno.

Também somos agredidos pelo conselho tutelar e pelo juizado de menores, que normalmente não agem em relação aos casos que chegam a essas instâncias - mesmo que envolvam situações domésticas de abandono ou abuso. Ficamos sozinhos diante desses problemas.

Acima de tudo, somos agredidos de todas as formas imagináveis pelas secretarias de educação, que pouco fazem para amenizar os excessos e faltas que nos assaltam. Excesso de alunos em sala de aula. Excesso de “metas” de aprovação. Excesso de projetos mirabolantes e milionários. Excesso de tecnologias revolucionárias que não funcionam por falta de manutenção. Excesso de terceirização. Excesso de contratos temporários. Falta de concursos. Falta de cumprimento à lei de 1/3 da carga horária para planejamento. Falta de pessoal administrativo suficiente nas escolas, especialmente inspetores e coordenadores. Entre carências e excessos, sofre o professor.

Somos agredidos por legisladores cujos projetos visam cercear a autonomia pedagógica.

Somos agredidos pela imprensa que enaltece esses grandes administradores e legisladores, verdadeiros salvadores da pátria (“educadora”) – a mesma imprensa que adora dizer que greves de professores “prejudicam os alunos”.

Somos agredidos por todas as fundações, institutos e ONGs que vampirizam recursos públicos vendendo soluções milagrosas para a educação pública.

Somos agredidos ainda por parte da “inteligência” brasileira. Há cerca de um mês, li uma entrevista de um economista “de aluguel”, “especialista” em educação, afirmando que a escola deve parar de “empurrar responsabilidades” para a família do estudante. Segundo essa sumidade, o único papel da família é dar amor, alimentação e botar o jovem para dormir cedo; o resto é com a escola. Somos agredidos por todos os “intelectuais” que gostam de nos “defender”, mas não gostam de nos OUVIR.

Nessa pátria “educadora”, também somos agredidos pelo governo federal, que não cobra o mínimo de transparência no uso dos recursos transferidos pela União às prefeituras e governos estaduais. É mais fácil entender a Crítica da razão pura que saber exatamente de que maneira são empregadas as verbas do FUNDEB. Esse mesmo governo federal promove a usurpação de recursos da educação pública em benefício de instituições particulares de ensino, através de programas “sociais”, “sócio-eleitorais” ou “sócio-eleitoreiros” – à preferência do freguês, que tem sempre razão. Se não mantivermos olho vivo, esse mesmo governo empregará os rendimentos do pré-sal na promoção da educação... privada. Mas quem precisa se preocupar, depois do despertar da jararaca?

Finalmente, quando ousamos sair às ruas com nossas reivindicações, não faltam spray (in english) de pimenta, lacrimogêneo, balas de borracha e “casse-têtes” (en français). Cortes sumários de salário, sem obedecer aos ritos da lei, também não são impossíveis. Quem sai na chuva...

Somos agredidos pelas direções sindicais, mais preocupadas com a promoção de seus respectivos partidos políticos que com os interesses da categoria.

Somos agredidos pela maioria dos cidadãos, que permanece indiferente a tudo isso, e depois se escandaliza quando uma pessoa é esfaqueada num bairro nobre.

O professor do ensino básico está sempre errado. Sempre é culpa dele.

Alguém fica surpreso que os professores constituam uma das categorias recordistas em licenças médicas no serviço público? No fim das contas, reformulo minha indagação: quem NÃO bate nos professores do Brasil?

sábado, 5 de março de 2016

A vara, o peixe e a hipocrisia brasileira

OBSIMP: Esse texto estava escrito desde o início da semana, não precisa ser lido tendo em mente os acontecimentos de ontem. Mas pode, é claro.

Nos últimos anos, tenho ouvido inúmeras críticas às políticas sociais no Brasil, estribadas num ideal meritocrático, muitas vezes evocando o velho ditado de que é necessário dar a vara, e não o peixe:

"Se você dá um peixe a uma pessoa, ela tem comida para um dia; se você dá uma vara de pescar, ela tem comida para uma vida inteira".


O grande equívoco é achar que no mundo capitalista as coisas são dadas. O peixe é vendido; a vara também é vendida. A diferença é que a vara custa muito mais que o peixe. Pense nos exemplos concretos que você quiser - não é difícil.

Por outro lado, muito se enganam aqueles que defendem o modelo de política social implementado pelo governo PT-PMDB. Essas políticas sociais não deram vara nem peixe.

Em geral, estimulando uma superficial inclusão social pelo consumo, elas deram aos pobres dinheiro para que eles comprassem seus peixes, enriquecendo ainda mais os donos das varas e das pescarias...

Cada um tem a "jararaca" que merece



"O atentado contra minha vida me deixou cicatrizes e deformidades, mas eu lhes asseguro que minha resolução nunca foi mais forte! Para assegurar nossa segurança e contínua estabilidade, a República será reorganizada no Primeiro Império Galáctico para uma sociedade segura e garantida!"


Não levem a sério demais. Apenas uma comparação bem-humorada de discursos carismáticos...

O pânico dos "defensores da democracia"

"Se amanhã eu disser à imprensa que, tipo, um bandidinho tomará um tiro, ou um caminhão cheio de soldados vai explodir, ninguém entra em pânico, porque é tudo parte do plano. Mas quando eu digo que aquele velho prefeitinho vai morrer... Bem, então todo mundo perde a cabeça!"


Gotas - Lula e a "defesa da democracia"

Ei, você aí, "defensor da democracia", onde você estava em 2013, quando precisamos de você?

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Qual foi a manipulação mais grotesca do dia?
O circo midiático em torno do depoimento de Lula?
Ou o discurso sentimentalóide e apelativo que Lula pronunciou depois?

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Menos polarização, pessoal...

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Quer MESMO apoiar a democracia?
Vá para as ruas lutar junto com os servidores do Estado do Rio.
A solução não virá das urnas - nem em 2018, nem nunca.

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DEMOCRACIA não é FUTEBOL.
Existem muito mais que 2 lados nesse jogo.
Pense como CIDADÃO, não como mero TORCEDOR.

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Tem horas que a política no Brasil me lembra aqueles seriados cinematográficos dos anos 30. Cada episódio termina num "cliffhanger" que parece não levar a lugar nenhum...

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Se fosse um thriller político, eu diria que o Brasil anda precisando de um roteirista mais coerente, de um diretor mais talentoso e de atores mais carismáticos.

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O dia de hoje me deixa aquela impressão esquisita de que a maioria das pessoas só quer um líder para chamar de seu...

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Tanto denodo em defender o Lula, tanta indiferença em relação à luta dos servidores do Estado do Rio...
Solidariedades seletivas sempre mostram muito do que realmente pensamos ou sentimos...

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Nos últimos 4 anos não demonstrou nenhum apoio às lutas sociais mais destacadas, mas passou as últimas 24 horas achando que defender o Lula (e o PT) é defender os pobres. Não soa meio PATERNALISTA?!

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Hoje foi o dia em que descobrimos o que "defender a democracia" realmente significa para muita gente...

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Eduardo Paes já declarou que emprestará o Terreirão do Samba para manifestações em apoio ao Lula. Educadores entenderão.

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Só para encerrar meus desabafos do dia: antes de sair às ruas em defesa do Lula, tente se lembrar que palanques fluminenses ele andou frequentando na última década...

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Em 2013, Sérgio CABRAL, então e sempre aliado de LULA, nos deu valiosas lições de "defesa da democracia".

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Pensando melhor, acho que o discurso de Lula hoje foi tão lacrimogêneo quanto as bombas de seu aliado Sérgio Cabral em 2013...

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Defender a democracia é obrigatório.
Defender o Lula é opcional.

sexta-feira, 4 de março de 2016

Carta aberta ao Presidente Lula

CARO PRESIDENTE LULA,

eu sou o Luiz, seu xará, professor de História da rede municipal do Rio de Janeiro.

Concordo que hoje o senhor foi vítima de atuação policial e judiciária arbitrária.

Mas quero lhe fazer algumas perguntas simples.

Onde o senhor estava em 2013, quando meus colegas foram brutalmente atacados pela Polícia Militar do Rio de Janeiro, em plena Cinelândia?

Onde o senhor estava em 2014, quando a justiça fluminense e a polícia civil conduziram aquela patética operação de intimidação aos movimentos sociais às vésperas da final da Copa?

Onde o senhor estava quando vários colegas meus, professores e grevistas receberam, naquele fatídico sábado, ligações ameaçadoras e visitas estranhas no meio da madrugada?

Onde o senhor estava naquele dia, em que senti medo de ser preso sem qualquer justificativa?

Onde o senhor estava quando seu ALIADO Eduardo Paes cortou ILEGALMENTE o ponto de milhares de professores grevistas da rede municipal do Rio?

Onde o senhor estava em julho de 2014, quando recebi apenas R$ 48,00 de pagamento, numa represália ilegal por exercer meu direito legalmente constituído de fazer greve?

Onde o senhor estava em agosto de 2014, quando eu e meus colegas descontados e nossas famílias lutamos bravamente para fechar as contas do mês?

Onde, em todas essas ocasiões, estavam o senhor, sua criatura Dilma Roussef, seu Partido "dos Trabalhadores", e sua militância alienada?

Onde?

Me desculpe, Presidente Lula, mas sua indignação tardia, seletiva e interesseira não me comove.

Por favor, nos poupe de se fazer de vítima de uma situação política da qual o senhor e seus "amigos" são, em grande parte, arquitetos.

O senhor "merecia um pouco mais de respeito"? Nós também.

Cordialmente,
LFFT